07 maio 2012

Yin e Yang.


Do alto do prédio eu conseguia observar quase toda a cidade. Gostava daquele canto porque era calmo, podia acender um cigarro e pensar sobre a vida. Ultimamente, essa era a minha rotina desde que Marcela se foi.
Lá embaixo a vida acontecia e aqui em cima eu apenas deixava a minha acabar. Minha mãe quando me telefonava dizia que eu estava jogando a minha juventude no lixo. Ela está certa, mas eu simplesmente não sei lidar com o fim de um relacionamento.
O meu namoro com a Marcela já não estava bem. Discutíamos mais do que conversávamos, estávamos em guerra constante. No final, ela se cansou do meu pessimismo e eu da mania dela de colocar Deus no meio de tudo.
Meus amigos sempre me falavam que eu e ela éramos Yin e Yang, mas acho que até o taoismo se cansou de nós. Agora estamos separados por um Deus, chineses e um pessimismo que transforma ‘’ O morro dos ventos uivantes ‘’ num livro alegre.
Marcela agora arrumou um novo amor. O cara é um sociólogo, gaúcho e morador de Ipanema. Confesso que ele não combina com ela mas acredito que uma cobertura na Vieira Souto resolva todas as imperfeições ou pelo menos as esconda.
Eu não arrumei ninguém até agora. Passo noites em claro- o fim desse laço afetivo me causou insônia- aqui no telhado do meu prédio no Maracanã. Todas as noites são iguais, analiso todos os meus relacionamentos e tento entender o motivo que levou ao fim.
Nesta noite, as pessoas estão lá fora a procura de um novo/velho amor ou apenas sexo casual. Enquanto eu estou em busca de um novo motivo para viver. Esse meu pessimismo transforma o Caio F. Abreu num comediante. Preciso de mais cigarro.

Nota do autor: essa história é mais do mesmo, mas não é tão batida quanto tatuar o símbolo de infinito no pulso.


Ana C.

4 comentários:

Célio Falconiere disse...

Eu gostei, coitado desse cara ou dessa garota ta foda ser ele rsrs. Adorei a nota do autor!

Daniel C. disse...

Se joga do prédio ò.ó

Au Revoir disse...

Eu tenho um Che Guevara tatuado no peito.

Reinaldo B. disse...

Ficou legal Ana, gostei do texto. Agora ao caminhar aqui pelo bairro vou reparar mais nos meus vizinhos. :)