20 dezembro 2012

Depois da tempestade: Conversada dadaísta parte 2


Sobrevivente 1: Traz um Big Mac?

Sobrevivente 2: Sim e vamos rir porque estamos precisando.

Sobrevivente 1: Porque eu não ando muito afim de chorar minhas angustias não.

Sobrevivente 2: Um dia você acorda e percebe que tristeza não serve de nada. Gente triste é um pé no saco. Tem que levantar o corpo do chão, sacudir a poeira e voltar a sambar na sociedade.

Sobrevivente 1:Sim, exatamente assim. Sua tristeza não vai fazer as coisas mudarem. Só vai fazer você ficar perdendo tempo no drama.

Sobrevivente 2: Alegria, Alegria. Como diria Caetano.

Sobrevivente 2: Sabe, você pode ficar triste mas não pode deixar isso tomar conta de você.

Sobrevivente 1:Eu sei. Eu tinha deixado isso me dominar e fiquei com medo de enlouquecer mas depois você leva tudo ao limite e as coisas melhoram.

Sobrevivente 2: A vida continua uma merda mas a gente vai tentar viver essa merda da melhor forma possível.

Sobrevivente 1: A vida sempre foi uma merda mas a graça é cair na merda e rir disso, cara. Imagina, jogar merda no amiguinho e rir da cara dele. A graça é rir porque ta na merda.

Sobrevivente 2: Dizem que é sorte pisar na merda né?

Sobrevivente 1: Então, eu sou a pessoa mais sortuda do mundo porque vivo na merda. É merda pra todo canto, parece até a tsunami de merda que teve em Niterói.

Sobrevivente 2: Imagina, você ta andando na rua e de repente do nada vem uma onda de merda e bate em você.

Sobrevivente 1:E você é levado pela merda. Risos.

Sobrevivnte 2: O meu óbito seria: Morreu de nojo.

Sobrevivente 1: Eu não sei o que faria se uma onda de merda aparecesse. Acho que iria rir.

Sobrevivente 2: Eu iria sentir nojo antes dela me tocar.

Continuaram comendo normalmente depois dessa conversa escatológica.

Ana C e sobreviventes.
Para ler escutando:


Um comentário:

Célio Falconiere disse...

hahahahahahahah o video é mais que apropriado