09 outubro 2013

Seguidores do Deus sem nome



Me sinto viva quando ando com aqueles que me completam
São almas livres como a minha
Querem abraçar o mundo com as pernas
Caminham sem saber para onde ir 
Para nós, a aventura é o que importa
Somos os punks dos squats
Mendigos da Central
Filhos bastardos do burguês
Prostitutas da Lapa
Os meninos dos malabares no sinal
Professores e black blocs massacrados na Rio Branco
Aquilo que as almas acomodadas não suportam olhar
Somos o Jesus Cristo que renega o fardo da cruz para fugir com Maria Madalena
Somos o que queremos ser
Somos livres.

Ana C.

31 agosto 2013

Pastor João e a igreja invisível



  Colocou o caixote suavemente no chão, ajeitou a roupa surrada, mexeu no cabelo, pigarreou para limpar a garganta e deu início a mais um discurso. Sempre começava com:

- Amigos, Jesus está voltando e eu sou o seu porta voz. Deixem a vida pecaminosa para trás e venham em direção a luz da salvação. Aqueles que acreditarem em minha palavras, serão glorificados pelo Messias e terão uma vida próspera.

  Como era de costume, nos povoados pobres as pessoas se aglomeravam rapidamente ao seu redor. Nesse, não seria diferente. Os pobres são mais fáceis de serem ludibriados. O pastor descobriu esse fato e passou a usa-lo a seu favor.
Os humildes tentam de tudo para sobreviverem e melhorarem de vida, inclusive, começam a acreditar  em um falso Deus que é pai e padrasto. A fé cega se instala nesse momento, quando deixamos a racionalidade de lado e somos levados pelo efeito manada.
Aquele líder em cima do caixote sabia de tudo isso, mas ao contrário dos outros pobres, ele não esperou esse tal Deus aparece, trilhou o seu caminho por conta própria e usou o nome do tal '' Deus'' em seu favor.     Ele não sabia se Deus realmente existia, se iria para o Céu ou Inferno. Mas aquelas almas perdidas, desesperadas e cegas que estavam na sua frente, precisavam de um pastor para guia-las. Para onde? nem ele sabia, mas estava lucrando com aquelas almas sem lar.
  O sucesso de sua existência estava ligado ao exercício da fé em conjunto com o charlatanismo. Prometia transformar pau em pedra, chão em céu e cuspe em mel. Também vendia uma água benta milagrosa que na verdade era apenas água proveniente da bica.
  Após algum tempo, o seu caixote transformou-se num grande palco e o seu discurso começou a alcançar mais almas desesperadas para livrar-se do pecado e das perturbações demoníacas. A cada nova pregação, o número de fiéis  aumentava em progressão com o saldo de sua conta bancária.
  No final, aquele homem pobre de roupas sujas tornou-se esse tipo de pastor que faz chapinha no cabelo, prega discurso de ódio por ai e namora um negão( ativo sexualmente) apelidado de Jurandi. Mas, se alguém o abordar sobre o " Juju", ele nega tudo  dizendo que ele é apenas o seu motorista e que sexo anal é pecado porque Deus fez o homem para a mulher, o pênis apenas para a vagina.
  Atualmente, o pastor chuta imagem de santas símbolos do catolicismo e persegue humoristas. Bom amigos, esse é um grande exemplo de empreendedorismo e comercialização da fé. Se nada mais der certo, monte uma igreja, invente umas mentiras sobre um tal Jesus e você será capaz de mover montanhas ou apenas transferir dinheiro sujo para a sua conta na Suíça. 

Ana C. 

Para ler escutando:


Texto baseado na música " Pastor João e a igreja invisível- Raul Seixas'' 

24 agosto 2013

A regência verbal

Até onde se estende a verdade e quando ela se torna uma mentira?
Ambas se esbarram na hora da dança
No eterno ir e vir de dizeres.

Ana C.


08 agosto 2013

Excelsior...

Excelsior é queimar tudo que não lhe serve mais
Fechar portas que só trazem dor 
É renovar a vida
Excelsior pode ser usado quando você está no limite
Recebendo a visita de um espírito obsessor
Que te faz querer ser mais violento do que o Machete
Mais vingativo que a Emily do Revenge
Excelsior é a luz no fim do túnel para os desesperados
A última carga de energia que a vida pede
Dizer excelsior é aceitar que existem pessoas ruins no mundo
Seres humanos que irão te destruir e que só levam dor e caos por onde passam
Excelsior é a fé dos ateus 
A dança dos inocentes 
Excelsior é o foda-se preso que você queria soltar
Quer saber de uma coisa? Excelsior

Ana C.
Para ler escutando: o som do universo.

26 julho 2013

Odara

De repente veio uma batida mágica
Como um ritmo de baixo
Na coreografia dos querubins 
Meu corpo e o Universo
Eram um só
A sinfonia de Deus, se ele existir
A liberdade
Longe de tudo isso
Contas não existem mais
Nem responsabilidades
Lá de cima
Tudo era Odara
Explosão mental
Várias cores dominaram minha mente
Liberdade, finalmente chegou

Ana C.

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02 julho 2013

" It's a murderous, murderous ball night"

O samurai segura a sua espada
Como se estivesse segurando sua própria vida
No meio do campo de batalha é matar ou morrer
Não existem mais amigos e nem inimigos, apenas ele...
Lutando contra o seu próprio demônio
Então, a lâmina desce cortando pelo seu corpo 
Seu coração para de bater e as pálpebras ficam pesadas 
A dor é intensa
O frio domina a sua alma
Uma luz cega o seus olhos e ele encontra o fim....

Ana C.

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30 junho 2013

Drakkar


Um guerreiro viking deve reconhecer o momento certo de partir para novos rumos. Isso deve ser feito sem medo, deixando tudo para trás, incluindo aqueles que ele ama. Em alguns momentos, a viagem pode ser solitária mas é importante para o autoconhecimento e reencontro com a paz. Para que sangue de inocentes não seja derramado, o guerreiro precisa reconhecer os inimigos e controlar a fúria do seu machado. Nesse momento, o viking descobre que Odin, seu barco, seus lobos e seu machado são suas únicas armas e que ele está sozinho.

Ana C.

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23 maio 2013

Once upon a time


Caindo pela eternidade
Essa é a minha essência
Cair para depois reconstruir ou apenas construir
Vivendo o mito do herói que encara a verdade
Desconstrói sua realidade
Aceita o seu fardo
Vai a luta 
E quem sabe, no final, vença
Caindo, sem saber quando irá beijar o chão
Sem sentir a pressão em cima da face
Ou seu corpo se chocando com algo duro, inflexível, indestrutível 
Caindo em forma de notas músicas
Caindo com harmonias
Olha lá, acaba de sair um Si Bemol do bolso
Caindo, sem direção
Sem medo
Sem rumo

Ana C.
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12 maio 2013

Toca aquela dos Rolling Stones

Devo ter desenvolvido algum tipo de psicopatia ultimamente porque ando com vontade de cortar algumas cabeças por ai. Num belo dia acordei e percebi que estou cercada de pessoas babacas, egocêntricas, mimadas,  sem educação, frias, ignorantes e por ai vai a interminável lista de '' Por que matar toda a humanidade''. Quando toda a rotina te cansa e você não tem mais onde segurar e simplesmente quer mandar tudo para a puta que pariu, Nietzsche é uma boa opção nesse momento. Não entendo essas pessoas que vivem sempre a mesma vida, presas dentro dos escritórios e trabalhando como se fossem macacos treinados da NASA. Esse tipo de gente costuma deixar todos os sonhos de lado, a criatividade, a inteligência humana e aceitam qualquer porra medíocre que a vida possa oferecer.  Essas mesmas pessoas gastam fortunas consumindo coisas que elas nem precisam usar ou necessitam para viver. Simplesmente não entendo. Se eu vivesse na época dos Jacobinos, seriam poucas as pessoas que eu não mandaria para a guilhotina. Acho que eu estou saturada dos seres humanos e suas baboseiras.

Ana C.
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23 abril 2013

Trechos pessimistas manchados de café.


Algumas almas estão no mundo apenas para destruição
Passam pela vida das pessoas e levam tudo
São piratas contrabandistas 
Invadem  a sua vila e quando você percebe, já não tem mais nada
O lado bom em ser assim é que ninguém machuca você
Mas, ao longo da vida eles acabam deixando rastros de horror
Mágoa, sofrimento, raiva, ódio, dor, perda de fé
É o que resta para as vilas saqueadas
E assim a vida vai seguindo
Bela e alegre como um dia de feriado
O mundo é bonito, mas não é justo
As pessoas boas se fodem enquanto os saqueadores se dão bem
Essa é a vida e não é bonita, não é bonita.

Ana C.
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16 abril 2013

Deus no topo do mundo dançando Singin' in the rain



Nunca imaginei que um dia fosse matar um ser humano e destruir várias vidas em questão de segundos. O infeliz estava com o cano da minha arma enfiado dentro da sua boca, como se fosse um pênis pronto para ser sugado. O desespero estava claro em seus olhos porque no fundo do seu cérebro homo sapiens ele sabia que quem mandava naquela porra era eu, eu tinha o controle sobre o mundo, estava no topo da cadeia alimentar porque tinha aquele pequeno artefato de aço entre os meus dedos e enfiado em sua garganta. Apertar ou não apertar o gatilho? Um simples toque e eu iria preencher a parede de trás com os restos do seu cérebro, seria uma obra digna de Salvador Dalí, imagine, sangue e massa encefálica para todo lado. Fiquei imaginando o que aquele sujeito, ajoelhado aos meus pés, estaria pensando ao saber que a morte galopava em sua direção. Depois de um tempo, ele começou a implorar pela vida, na verdade, ele se lembrou que tinha uma vida, família, amigos e um gato chamado Sansão. Acho que é o instinto que nos faz implorar, suplicar, para que nossa infeliz vida não se vá num simples sopro, ou melhor dizendo, num simples puxão no gatilho da arma. Sempre achei o ser humano um saco, somos todos porcos que comem o próprio lixo, nadando na lama e achando que tudo está certo, tudo está bem. Nos entupimos de remédios para prolongar essa existência que já está fadada ao sofrimento, a vida baseada na busca do desejo inalcançável e na presença do tédio quando não mais desejamos algo. A vida pautada em produzir para ganhar dinheiro e logo depois gasta-lo, passar horas do dia em caixas metálicas que nos levam para o trabalho- casa, não ter tempo nem para dormir ou deixar nosso instinto animal sair. A razão nos emburrece, nos afasta do que realmente é importante. Resolvi acabar com o sofrimento do infeliz no estilo Tyler Durden de ser, afinal, eu estaria libertando a sua própria alma dessa existência infeliz. Apertei o gatilho e preenchi a parede de trás com uma linda arte dadaísta banhada em sangue.


Ana C.
Para ler escutando:

23 março 2013

Born To Die Because Summertime Sadness


Lhama del rey era uma menina bastante infeliz porque sua família não deixava a pobre menina comer Big Mac. Enquanto sua colega da escola, conhecida como Adelaide, era uma gordinha barraqueira e set fire to the rain quando alguém a perturbava, Lhama era mais retraída, preferia Born to die para não incomodar ninguém. Um dia, a menina Lhama cresceu e virou a Maysa do grande mundo capitalista e fez o mundo de todo mundo cair com as suas músicas cool-depre-vintage-sofrido. Após o seu ápice na carreira musical, o índice de suicídios no mundo aumentou e para amenizar a situação, as pessoas começaram a remixar os seus hits para tentar diminuir o alto índice de morte. Hoje em dia, a menina Lhama faz workshop no Camboja sobre '' O uso da fibra e da proteína na alimentação '' e '' Como não comer o Tio Sam''.

Ana C.

Para ler escutando: Nada. Não irei postar as músicas da Lhama porque não quero os meus leitores cometendo suicídio coletivo.

04 março 2013

Misantropia


Vozes por todos os lados que não deixam a minha mente descansar
Vozes de todos os tipos, a maioria com a fala vazia
Vozes, Vozes, Vozes
As pessoas falam demais
Pensam demais
E possuem a mania de achar que o que elas pensam é importante
Não é, pelo menos não para mim, não agora
As vezes sinto como se estivesse com o mundo nas costas
Sinto o peso da humanidade
Dessa raça mesquinha conhecida como Ser Humano
O Ser humano que não tem nada de humano
Cansei
Pare o mundo que eu quero descer

Ana C.
Para ler escutando: o som do nada.

16 fevereiro 2013

Darwin

Se for amor
É melhor ser transformado 
Do que deixar de ser...

Ana C.

Uma singela homenagem para Ingrid Camargo, a poetisa.

Para ler escutando: o que você achar melhor.

08 fevereiro 2013

Lá e Cá


De lá pra cá
Daqui pra lá
Os pés se vão
O vai em vem
De quem não tem mais coração
De lá pra cá
Daqui pra lá
O vazio vem
O vai e vem de paranoias 
De lá pra cá
Daqui pra lá
Todos se vão

Ana C.
Para ler escutando:

31 janeiro 2013

Mr Nobody

Sobrevivente 1: Amar é complicado não é?

Sobrevivente 2: Pois é, eu era mais feliz quando não sabia o que era amar.

Sobrevivente 1: Por que? 

Sobrevivente 2: Eu levava uma vida sossegada, gostava de sombra e água fresca.

Sobrevivente 1: O amor não é bom quando amamos quem não valoriza o nosso amor. Não importa o que você faça, o seu amor nunca será suficiente. É como se todos os outros amores servissem, menos o seu. É ruim isso não é? Parece que você é um et ou algo do tipo. Ou que você nunca será amado, deixa um vazio horrível na gente. As vezes é insuportável isso. Parece que eu vou sucumbir dentro do meu próprio amor. Dizem que sou diferente porque parece que eu sai de um livro mas isso nunca me ajudou nesses assuntos.

Sobrevivente 2: Deveras, compatriota. O que podemos fazer quando isso acontece? Ninguém sabe ao certo mas costumo deixar tudo para trás, let it be. Procure um novo rumo e tudo se resolve. Quem sabe você não encontra alguém que possa preencher o amor que você não tem? Pensamento positivo ou uma dose de Tequila.

Sobrevivente 1: Mas é ruim enquanto isso não acontece. Você fica com essa sensação de ser um cachorro de rua, abandonado, sem ninguém que goste de você da forma que você é... Complicada a vida. Parece que nunca irei dançar com um par essa valsinha do amor. Estarei sempre no bloco do eu sozinho.

Sobrevivente 2: Não pense desse jeito, existe sempre um lado bom em tudo. Para cada amor rejeitado existe um próximo na esquina, basta esquecer o anterior ou afoga-lo numa dose de Vodka. 

Sobrevivente 1: Ainda não tentei. Que tal você jogar uma pedra na minha cabeça? Assim poderei começar a minha nova vida sem lembranças. Sem dores, sem vazio e solidão.

Sobrevivente 2: Tem certeza, compatriota? Pode ser arriscado,  podes morrer.

Sobrevivente 1: Não ligo, eu não tenho medo de morrer. 

Sobrevivente 2: Ok, vamos lá.

Após o lance da pedra.

Sobrevivente 2: E ai? Você lembra de alguma coisa?

Sobrevivente 1: Lembro, não funcionou nada. Isso apenas me deixou com uma puta dor de cabeça. 

Sobrevivente 2: Eu te avisei. Apenas uma coisa chamada tempo consegue curar tudo o que nos incomoda. Deixe o tempo agir, apenas isso. Quer um café?

Sobrevivente 1: Quero.

Sobreviventes e Ana C.

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11 janeiro 2013

Untitled.


Vou construir uma canoa para você
Enfeita-la com flores
Pratos raros
Desejar várias coisas boas
Irei colocar você dentro dela
Depositar na beira do mar
E dizer: Leva Iemanjá, eu não sou você para aceitar oferenda.

Com amor, Ana C

Para ler escutando:
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08 janeiro 2013

Carta de uma pseudo heroína.

Queria ser um Power Ranger para poder destruir todo monstro que invadisse a sua cidade ou um Jedi para poder cortar com o meu sabre de luz tudo aquilo que lhe faz mal. Quem sabe talvez um guerreiro da Terra Média para reunir o meu exército e te tirar dessa prisão... Mas eu sou apenas mais um ser humano e não tenho poderes mágicos que possam te salvar de tudo. Queria poder te prometer algo melhor do que '' tudo vai ficar bem, relaxe'' mas infelizmente eu não posso fazer isso e você sabe muito bem que as minhas previsões nem sempre são boas. Queria até poder escrever um texto melhor para você mas você também sabe que os poetas nem sempre estão inspirados a ponto de produzirem versos dignos de Pessoa ou Lispector. Na verdade, o que eu quero no momento é poder apagar da tua memória cada lembrança ruim, preencher com coisas boas e te levar para Saturno. Seria uma boa tirar férias dessa loucura toda, não é mesmo? Sonhar não custa nada e acho que você poderia praticar mais isso. No final, o que eu quero mesmo é que você fique bem porque saber que você está triste me provoca tristeza e um sentimento de impotência porque prometi te proteger mas ainda não cheguei ao nível do Batman para ficar 24 horas no ar. Quando os momentos ficarem insuportáveis você pode correr para cá, Forrest e eu te levo para um passeio em Saturno.

Ana C.

Para ler escutando:

04 janeiro 2013